PROVAS E CONCURSOS DE DANÇA – A DIFÍCIL FUNÇÃO DE JULGAR

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Olá queridos leitores!

Nesse domingo eu fiz parte da banca examinadora para obtenção de registro profissional pelo Sindicato dos Profissionais de Dança Estado do Rio de Janeiro, na modalidade Dança do Ventre, e não poderia deixar de vir aqui falar um pouco dessa experiência pra vcs.

Então, toda vez que sou chamada para compor uma banca examinadora de Dança do Ventre sinto-me extremamente honrada e feliz por ver que meu trabalho traduz credibilidade e seriedade ao ponto de me confiarem uma tarefa tão árdua. Por isso, sempre que posso, aceito o convite com imensa satisfação e me coloco inteiramente disponível e a serviço da dança.

Mas, por outro lado, comumente tenho saído das provas com um sentimento de peso, um certo cansaço… enfim, um sentimento pouco confortável que não sei descrever muito bem. E embora eu não o identifique com exatidão, sei falar as razões pelas quais esse sentimento me acompanha ao final de cada tarefa de julgar.

Gente, é muuuuuita responsabilidade!!!! Traduzir em poucos números, em poucas palavras e em tempo recorde, tudo que vc viu numa dança de poucos momentos, sem perder de vista o ser humano que está na sua frente, considerando a tensão do momento e tantos outros fatores que podem estar envolvidos… ah, eu só posso dizer: o peso é grande. É muito grande!! Ás vezes, é quase de não se aguentar. Acreditem, meninas, vcs não são as únicas que estão sob tensão, que sofrem o stress da prova, que têm medo errar.

É relativamente fácil julgar quando a bailarina é indiscutivelmente boa ou ruim. Mas, aquela bailarina talentosa, que cometeu erros graves ou não estava no seu melhor momento ou aquela bailarina que está no caminho certo, é estudiosa, esforçada e que está quase lá?! Ahhhh, gente, essas bailarinas tiram o nosso sono!!!  🙂 O receio de não ser suficientemente justa, de não ter feito a melhor avaliação, de não ter valorizado os pontos certos, o medo de não ter dado uma nota justa, tanto pra mais, quanto pra menos… enfim, julgar não é uma tarefa fácil e nem sempre é prazerosa.

O que eu quero dizer é que o momento da avaliação é apenas um momento. Um flash. No qual nem sempre conseguimos mostrar tudo que podemos. E não estou falando das bailarinas, mas dos avaliadores. Nem sempre escolhemos as palavras certas para avaliar a dança de alguém. Nem sempre atribuímos à dança do outro o número ideal. Comumente não temos o tempo que gostaríamos para dar o veredito. É fato que nada disso invalida o processo. Apenas nos mostra o quanto é complexo o ato de julgar.

E ainda tem mais! Não se enganem: nós jurados também somos e, por longo período, seremos julgados. Talvez de forma mais impiedosa e pra sempre. Porque a nota que damos fica como um selo, um carimbo na carreira de uma bailarina.

Contudo, espero, sinceramente que as bailarinas que passam pelos mais diversos tipos de provas, que têm a coragem de se expor e mostrar suas danças para uma avaliação, entendam que este é apenas um momento. E que tantos outros podem e devem vir. Espero que cresçam com as notas recebidas, sejam elas positivas ou não. Não façam delas um veredito fechado ou uma verdade absoluta. Façam dela um processo, um caminho, uma construção. Que acima de tudo, acreditem em si mesmas, como bailarinas, profissionais e como pessoas. E entendam que aquele foi também apenas um único momento para o avaliador. Alguém que não é o seu oponente. Ele é um espectador ao qual vc procurou dar o melhor de si e do qual vc recebeu o melhor que ele pode fazer por vc num curto espaço de tempo. E se vc um dia dançar para que eu te avalie, tenha a certeza de que, acima de tudo, estarei torcendo por vc e também por mim, para que nós duas possamos trocar o nosso melhor. E assim, possamos juntas crescer com cada experiência nossa, neste maravilhoso universo que é a Dança do Ventre.

Um grande beijo, sucesso sempre e ótima semana!!!! 😉

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