O BALLET CLÁSSICO NA DANÇA DO VENTRE

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Olá pessoal!!
Nilza gran finaleEu sei que o assunto de hoje não é novo. Mas vcs devem concordar comigo que ele sempre suscita boas discussões. E eu, particularmente, acho que a presença do Ballet Clássico na Dança do Ventre continuará sendo uma questão que ainda vai render muito, e por muito tempo… 😉

No nosso meio, encontramos ardorosas torcidas para ambos os lados. Tanto para os que atacam, quanto para os que defendem o fato da bailarina de Dança do Ventre apresentar-se de forma demasiadamente ereta, executando belíssimos passos de Ballet Clássico enquanto dança uma música árabe.

Nesta discussão toda, acho importante lembrar que a Dança do Ventre antiga, executada pelas “lendárias bailarinas” das décadas de 30, 40 e 50 já era uma dança fusionada. Para subir nos palcos de Badiea Masabny, a popular Dança do Ventre, dançada nas ruas e nas casas de família, precisou se refinar e tomar um caráter de show. Com isso, as bailarinas da época, tais como Taheyya Carioca, Samia Gamal, e muitas outras, precisaram estudar várias artes, dentro as quais se destacou justamente o Ballet Clássico.

Portanto, na minha opinião, a presença do Ballet na Dança do Ventre não é um assunto da nossa década. Mas sim, um assunto que faz parte da origem da “Dança do Ventre Show”. Uma dança que precisou percorrer outros rumos para ganhar novos espaços e novos públicos. Até ai, nada de mal ou anormal. O mesmo aconteceu com o nosso samba, com o tango e tantas outras danças que, além do seu repertório de raiz, adquiriu outras linguagens e incorporou os passos de outras danças para vencer fronteiras e se apresentar para o mundo.

A Dança do Ventre, além de cultura, é arte. E arte é coisa viva. Qualquer que seja ela, é impossível congelar, aprisionar ou adormecer uma arte. Ela vai evoluir e se transformar enquanto estiver atuante no corpo das pessoas.

Mas como preservar a raiz de uma dança se sua transformação é mais do que óbvia e natural? É… não é uma tarefa fácil… mas eu acho que a chave para essa resposta é o amor verdadeiro pela dança e o ESTUDO.

Muito do que se transforma, se transforma também pelo desconhecimento, pela total falta de compreensão do objeto (no caso, a dança). Por exemplo, se eu não sou capaz de identificar um momento baladi numa Rotina Clássica, eu posso achar que ali cai bem fazer um arabesque seguido de um giro alongadíssimo e de um “gran batman” extraordinário. Moça, vai ficar lindo o seu equívoco! Mas não vai deixar de ser equívoco por causa da beleza dos seus passos e da sua indiscutível habilidade técnica.

Portanto, o importante nesta discussão não é se deve ou não haver o encontro entre modalidades distintas de danças. Mesmo porque, isso vai acontecer naturalmente. Não há nada que possamos fazer para que isso não ocorra. No meu entendimento, a questão é que o estudo do Ballet Clássico voltado para a Dança do Ventre deve permitir o aprimoramento da Dança do Ventre sem retirar dela, suas características básicas, sua personalidade. Isto é, nenhuma outra manifestação artística pode “suplantar” a interpretação típica que faz com que a Dança do Ventre seja reconhecida como tal.

Na prática, acredito que o Ballet Clássico tem imenso valor para preparar as bailarinas do ponto de vista físico, técnico, etc. Ele dá uma ótima base para execução e interpretação de certos gêneros e trechos das músicas árabes, mas revela-se totalmente inadequado em outros.

Portanto, há que se dosar. Entender e compreender a Dança do Ventre como modalidade artística com características e personalidade próprias. E assim, admirá-la e interpretá-la como tal.

Um super beijo a todos que passarem por aqui!!! 😉