MISTÉRIO E SEDUÇÃO A (DE)SERVIÇO DA DANÇA DO VENTRE

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Véu trás

Olá pessoal!!

Hoje venho falar de mais um assunto polêmico na Dança do Ventre e que pode parecer que estou escrevendo agora o “oposto do que eu disse antes”. Nada demais com mudar de opinião, mas realmente não se trata disso.

Há algum tempo eu escrevi sobre o Lícito direito da Dança do Ventre à Sensualidade. E mantenho tudo que eu disse. Acontece que, nem tanto ao céu e nem tanto à terra, né gente?!

Quero dizer aqui, que acho também um grande erro valorizar demais a sensualidade e o mistério naturais que a nossa dança tem, elevando tais características a um patamar irreal, caricato e prejudicial à imagem e ao entendimento do que vem a ser Dança do Ventre.

Na minha opinião, fazemos uma dança que tem alma, sentimento e energia, que se traduzem numa sensualidade e num mistério que vão muito além dos esteriótipos que estão nos comerciais, nas capas de revista, nos nights clubs e que vendem produtos e sonhos de todas as ordens.

Eu me lembro de uma colega que dava aula de Dança do Ventre numa academia de ginástica. Numa sala que também era usada para aulas de outras estéticas. Quando chegava o seu horário, ela prontamente colava papéis enormes em todos os vidros da sala para que ninguém visse suas aulas. Meu Deus, olha só que mensagem subliminar e perigosa era passada?!?! Puxa, eu pergunto: que tipo de coisa acontecia lá dentro, diferente da dança de salão, do axé, do sapateado, que não podia ser vista por quem estava do lado de fora? Pra que criar um mistério tão desnecessário e exagerado em torno da Dança do Ventre? Eu confesso que atitudes assim sempre me deixaram muito surpresa.

A dança não precisa de mais sensualidade e mistério do que aqueles que já lhe são próprios. E talvez leve algum tempo pra entendermos e assimilar isso. Penso que podemos nos colocar nesse universo explorando tais elementos de forma natural, lúdica e graciosa. Sensualidade e mistério também estão presentes na natureza feminina. Estão presentes inclusive, na alma do artista que quer apaixonar e surpreender seu público.

Eu sugiro que a gente não alimente um mistério artificial, escondendo nossa dança. Tampouco, que se ensaie caras e bocas em frete ao espelho. Ser sensual e misteriosa ao dançar, passa sim, por um processo de aprendizagem que envolve o nosso íntimo, o reconhecimento das nossas sensações e emoções ao dançar. Eu entendo que o aprendizado só é possível  no encontro verdadeiro com uma dança apaixonada.

Bjs e ótima semana!