6 PERGUNTAS QUE VOCÊ PRECISA SABER RESPONDER PARA ENTENDER A DANÇA DO VENTRE DE UMA VEZ POR TODAS

Tempo de leitura: 23 minutos

Afinal, O que é Dança do Ventre?

A Dança do Ventre é uma modalidade de dança que atrai muitas pessoas no mundo inteiro, seja por sua beleza, por sua sensualidade ou por seus mistérios.

Mas afinal de contas, que dança é essa que mexe tanto com o universo feminino?

Sim, quem de nós bailarinas, ou simplesmente mulheres interessadas em aprender a dançar, não se fez pelo menos umas três dessas perguntas?

Então, achei que valeria à pena trazer todas essas discussões para o Blog de forma bem detalhada e tocando em pontos controversos, ou meramente nebulosos.

Assim, espero esclarecer pontos importantes que possam te dar uma visão nova sobre a Dança do Ventre.

Sim, essa dança que entra nas nossas vidas sem pedir licença e nos envolve com tanta beleza, ao mesmo tempo que nos lança num universo de muitas dúvidas e questionamentos.

Então, continue lendo este artigo para que possamos desvendar aqui, alguns mistérios e, dessa forma, enriquecer nossa dança e nossa experiência com ela.

 

De Onde Veio a Dança do Ventre?

Origem da Dança do Ventre

Falar sobre a origem da Dança do Ventre não é uma tarefa fácil, mas acho que podemos simplificar as coisas.

Em vários livros de história (não estou falando de nenhum em especial), encontramos diversos registros de que os povos antigos, de diversas regiões, tinham uma relação muito forte com a natureza e o cosmos.

Dessa forma, a concepção de existência, assim como os símbolos e os mitos cultivados na época, possuíam estreita relação com o sagrado.

Rituais dançados eram (e ainda continuam sendo até hoje) utilizados para evocarem a espiritualidade e buscar a unificação entre mente, corpo, natureza e universo.

Sabemos o quanto as danças e celebrações são poderosas para reunir pessoas interessadas em descobrir os mistérios da vida e da morte.  E quando falamos em civilizações antigas, havia ainda a necessidade de compreender melhor os fenômenos mundanos, tais como: a incidência de chuva e dos trovões, o surgimento das colheitas, o mistério do nascimento e tantos outros.

Então, me parece um argumento bastante lógico e coerente, supor que a Dança do Ventre teve suas raízes em rituais religiosos. Em cultos para conectar as mulheres com os fenômenos universais, com as transformações do próprio corpo e com a experiência da própria intimidade.

Por mais que essa afirmativa encontre pouca ou nenhuma documentação histórica e, por isso, os pesquisadores não arriscam muitas teorias, se pensarmos em termos bem remotos, o cenário é bastante possível.

Sites como Central da Dança do Ventre e Khan El Khalili trazem artigos breves, porém bastante interessantes sobre a origem da Dança do Ventre. Recomendo a leitura.

No entanto, é importante dizer que não sabemos exatamente como as danças ritualísticas eram executadas. Isto é:

  • Quais eram exatamente os movimentos realizados?
  • Como cada movimento era executado?
  • Quantos movimentos precisamente compunham a dança?
  • Havia mais de uma dança?
  • Os movimentos tinham algum significado?
  • Havia alguma semelhança com a dança praticada hoje?

Desista. O youtube não existia naquela época. Jamais saberemos responder.  😉

Mas nem tudo está perdido. Continue me acompanhando e novas respostas virão ao nosso encontro.

 

De Onde Veio o Nome Dança do Ventre?

Nome Dança do Ventre

Dança Antes de Subir aos Palcos

Não é porque não podemos precisar a origem mais remota da Dança do Ventre que não podemos olhar para o passado até onde a nossa vista alcança, não é mesmo?

Ainda mais, se esse olhar nos for útil para entender a dança que praticamos hoje.

Então vamos continuar. Por volta de 650 a.C. os árabes invadiram o Egito e assim disseminaram por todo país, suas danças suas músicas, seus hábitos e seus costumes.

Eles mantinham como escravas, suas prisioneiras de guerra, para que elas fizessem todos os serviços domésticos. No entanto, as mais belas e talentosas aprendiam canto, dança e poesia. Elas compunham músicas, tocavam vários instrumentos musicais, dentre muitas outras habilidades.

Nesse cenário, destaca-se a figura das “Awalin” (plural de Almeh), que significa “mulheres versadas em artes”.  Na verdade, a Almeh era a mulher mais inteligente e articulada da área feminina.

As Awalin habitavam a corte e eram verdadeiras líderes. Dentre muitas responsabilidades, mantinham a ordem nos haréns, intermediavam a relação entre as mulheres e o seus senhores e cuidavam da formação das bailarinas, também cortesãs de luxo da elite árabe da época.

Outra figura marcante eram as “Ghawazee” (plural de “Ghazya“), um termo dado às ciganas no Egito, por significar “forasteiras” em árabe. Mais conhecidas com as “invasoras do coração”, essas mulheres dançavam nas ruas e eram contratadas para os mais diversos tipos de festividades.

Em resumo, podemos dizer que as Awalin e as Ghawazee , são as primeiras bailarinas que temos notícia, a nos apresentar a dança árabe com o firme propósito de entretenimento.

 

Napoleão - Dança do Ventre

 

Em 1798, com a chegada de Napoleão ao Egito, as  Awalim fugiram do país, enquanto as Ghawazee viram a oportunidade de ganhar dinheiro entretendo as tropas do líder francês.

Contudo, não significa dizer que a história reservou um final feliz para as Ghawazee. Para saber mais a respeito eu recomendo um texto escrito no blog da bailarina e professora Lulu Hartenbach em 2012, intitulado “Ghawazee – Raízes e História”.

Dando prosseguimento, ao entrar em contato com a dança local, os franceses passaram a denominá-la “Danse du Ventre” que em português significa “Dança do Ventre”.

Talvez, a facilidade da pronúncia, foi um dos grandes fatores que contribuiu muito para que o termo fosse amplamente difundido no mundo ocidental e assim se estabelecesse entre nós, de forma tão inquestionável, durante anos, perpetuando-se, até hoje.

Mais recentemente, coisa de uns 100 anos atrás, um fenômeno social ocorrido no Egito, nos ajudará a entender melhor a dança que fazemos hoje.

O que aconteceu naquela época? Em busca de melhores condições de vida e de trabalho, várias famílias vindas de diferentes regiões do Egito se estabeleceram na Capital.

Trouxeram com elas, todas as suas tradições e o orgulho pelos lugares onde nasceram.

Gerações futuras, tais como filhos e netos nascidos, criados e educados no centro urbano, continuaram chamando de “El Baladi” (terra natal), o lugar de onde vieram seus antecessores. Tal fato denota o tradicionalismo e a forte ligação desse povo com as suas origens.

A partir desse fenômeno, o grande músico egípcio Hossam Ramzy, conta a história de uma personagem fictícia chamada Zeinab, para ilustrar as características básicas do “Taksim Baladi”.  A dança que se tornou uma das mais tradicionais e típicas do egípcio.

Assim sendo, tanto as danças executadas pelas Ghawazee nas ruas do Egito desde o Séc XVIII, quanto o Taksim Baladi executado nas casas das famílias egípcias, nos fornecem um excelente referencial das típicas danças egípcias. Seus códigos, seus movimentos e suas expressões.

 

Ouled Nail

 

Outro grupo de mulheres da Argélia, que também podem ter influenciado a dança oriental  seria as “Ouled Nail”, uma tribo berbere originária dos ”Montes des Ouled“, cuja prosperidade se devia ao fato de como as mulheres da tribo ganhavam a vida.

As meninas eram treinadas desde cedo na arte da dança e do sexo. Deixavam suas casas por volta de nove a doze anos de idade para ir aos cafés, praticar o seu comércio e fazer riqueza.

Cerca de 15 anos depois, ou permaneciam orientando as novas jovens que chegavam, ou retornavam para suas casas para se casarem e constituírem família.

A qualidade do casamento dependia do tamanho do dote acumulado e geralmente as Ouled Nail tinham riquezas suficientes para garantir um excelente casamento.

Após se casarem, elas paravam de dançar em público, comprometiam-se inteiramente com as suas famílias e se dedicavam a ser ótimas mães e esposas.

A dançarinas argelianas tiveram, sem dúvida, um papel muito importante na divulgação da Dança Oriental para o restante do mundo.

Foram elas que estiveram presentes na Feira Mundial de Paris em 1889 e na Feira Mundial de Chicago em 1893.

 

Feiras Mundiais-001

 

Em meio a todo esse cenário, eu gostaria de ressaltar a Dança Hagallah, dança beduína típica da região de Marsa Matruh no Egito e do Leste da Líbia. Apesar de conhecermos tão pouco a seu respeito, suas movimentações de quadril também em muito se assemelham ao que chamamos hoje de Dança do Ventre.

Neste post aqui e neste outro, você pode conferir alguns dos passos da Dança Hagallah.

Ghawazee, Taksim Baladi, a dança das Ouled Nail e, arrisco dizer que algumas danças beduínas são, até onde podemos vislumbrar, os berços da Dança do Ventre que precisou ser refinada para ganhar os palcos como veremos mais à frente.

 

O Que se Aprende em Sala de Aula?

Aula de Dança do Ventre

 

Quando tomei a decisão de estudar Dança do Ventre não tinha a menor ideia do tamanho do mundo que me aguardava. E tenho certeza que isso não aconteceu só comigo e ainda vai acontecer com você que não teve sua primeira aula de dança.

A boa notícia é que descobrir isso é absolutamente fascinante. Vem comigo que eu vou te explicar. 😉

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Dança do Ventre não é uma dança única. E existem muitas formas de entender o termo. Vou me ater aqui a pelo menos duas delas:

1. Curso Regular de Dança do Ventre

O nome Dança do Ventre aqui, é utilizado de forma genérica. Isto é, diz respeito a uma “matéria”. É meramente o nome de um “curso”.

Para que você entenda melhor, um bom exemplo é o termo “Dança de Salão”.

Não existe uma única Dança de Salão. Dança de Salão é o nome do curso, no qual você vai aprender um número enorme de danças e ritmos. Inclusive de países muito diferentes uns dos outros.

Na minha opinião, o mesmo acontece com a Dança do Ventre. Nas aulas, você não vai estudar uma única dança.

Um bom curso regular de Dança do Ventre, na verdade, engloba o estudo de várias danças árabes, dentre as quais, eu posso citar:

  • As danças clássicas;
  • As danças pops;
  • As danças fusionadas;
  • As danças cênicas;
  • As danças populares e
  • As danças folclóricas.

Isso sem contar, que existem 22 países árabes distribuídos em 2 continentes diferentes:

  • Continente Africano e
  • Continente Asiático.

Cada uma dessas danças nos apresenta um universo diferente e infinito de possibilidades.

2. A Dança do Ventre Enquanto Estética de Dança

Para falar de uma dança específica, chamada “Dança do Ventre”, eu te convido a uma nova visita ao passado. Mais precisamente, à “Era de Ouro” da dança, mais conhecida por seu termo em inglês “Golden Age“.

O mercado do entretenimento na capital do Egito, por volta de 1920, se mostrava bastante promissor e era controlado em grande parte por estrangeiros vindos do Líbano e da Síria, bem como a Europa e os Estados Unidos.

 

Badieya - Dança do Ventre

 

Nesse cenário, surge uma jovem libanesa chamada  Badiea Masabny que se mudou para o Cairo aos 17 anos de idade para seguir a carreira artística.

Além de bailarina e cantora, ela se tornou uma grande empresária, à frente da maior casa noturna do Cairo. Lá se apresentavam os maiores artistas da época, divididos entre cantores, músicos, poetas, compositores, produtores, atores e bailarinas.

O mercado do entretenimento, mais precisamente o cinema egípcio, em ascensão, era fortemente influenciado pelos padrões europeus e hollywoodianos.

Portanto, para atender às expectativas de um show glamouroso, capaz de atrair e surpreender o publico e manter a casa lotada, as bailarinas precisavam ir além da dança baladi tradicional, ao mesmo tempo que deveriam se diferenciar da dança pouco refinada das Ghawazee.

Mais do que isso, as bailarinas precisavam desenvolver postura de palco, um certo refinamento condizente com a super produção do shows noturnos. Existia um padrão estético reinando no mundo artístico e as egípcias precisavam se enquadrar nele.

 

Bailarinas de Dança do Ventre

 

Não é à toa que as grandes bailarinas da época, tais como: Samya Gamal, Taheyya Karioka, Naima Akef, dentre muitas outras, passaram por várias escolas de dança, tais como o ballet clássico e o sapateado.

Nasce então, a “Raks El Sharq” ou simplesmente “Raks Sharq“, cuja tradução é “Dança do Oriente” ou “Dança do Leste”.

Uma dança cuidadosamente construída, repleta de glamour e refinamento para ser mostrada nos palcos das noites da capital egípcia.

Dessa forma, precisamos entender que o que chamamos hoje de “Dança do Ventre”, no sentido restrito, é a dança típica egípcia, com seu código corporal característico, aliada às transformações sofridas dentro do seu próprio país, para se adequar a uma estrutura de show.

Portanto, a Dança do Ventre já é, por natureza, uma dança fusionada com o ballet e outras estéticas. E o que aconteceu com ela é o mesmo que aconteceu com tantas outras danças que subiram aos palcos. Nenhuma novidade.

As belas mulatas, bailarinas das casas de show no Rio de Janeiro, assim como as passistas de escola de samba, dançam, se comportam e se vestem de forma muito diferente do restante de nós, brasileiras comuns, que sambam nos botecos cariocas, tomando nossas geladas cervejinhas.

O tango que se dança em casa, não é o mesmo apresentado nas grandes casas de show argentinas que recebem turistas o ano inteiro e esperam se surpreender com a beleza, o luxo e a exuberância, não só das bailarinas, como também de tudo que envolve a sua apresentação.

Dessa forma, a meu ver, o nome Dança do Ventre em sentido restrito, refere-se basicamente às danças clássicas de uma forma geral, às danças pop (egípcias, libanesas, dentre outras) e aos solos de percussão.

As demais danças orientais árabes compreendem as fusões, os folclores, as danças cênicas e populares e outros estilos clássicos como o Mowashahat, por exemplo.

 

Quem pode Fazer Dança do Ventre?

 Sinceramente? A Dança do Ventre é uma das danças mais democráticas que eu conheço.

Não só porque ela não demanda nenhum tipo de preparo prévio, mas também porque ela pode ser praticada por homens e mulheres de todas as idades.

Dança do Vente para Crianças

Crianças que praticam Dança do Ventre, assim como outros tipos de dança, têm a oportunidade de trabalhar ritmos, musicalidade, coordenação motora, vários aspectos importantes do desenvolvimento Infantil, incluindo a psicomotricidade, dentre muitos outros.

Dança do Ventre para a 3ª Idade

Quando comecei a lecionar Dança do Ventre, eu iniciei minha prática com mulheres mais maduras.

Dessa forma, eu tive a oportunidade de presenciar várias senhoras se redescobrindo por meio de uma atividade física prazerosa, leve e totalmente inovadora pra elas.

A dança favorece a socialização, trabalha a auto-estima e a feminilidade dessas mulheres que passaram longo tempo das suas vidas se dedicando à família e, muitas vezes, esquecendo de si próprias.

Agora, por meio da dança, elas podem ir ao reencontro de si mesmas e isso é uma coisa muito bonita de se ver. 😉

Dança do Ventre para Homens

Dança do Ventre Masculina

O curso regular de Dança do Ventre tem muito a oferecer aos homens, uma vez que o estudo inclui também as mais variadas danças folclóricas masculinas.

E no sentido restrito, isto é, a Dança do Ventre enquanto uma estética de dança específica, os homens dia após dia têm se revelado grandes bailarinos, capazes de performances incríveis, super profissionais e muito bem elaboradas.

Dança do Ventre como Atividade Terapêutica

Existem muitas iniciativas na área da saúde utilizando a Dança do Ventre como atividade coadjuvante no tratamento e reabilitação de pacientes como os mais diversos tipos de doenças e agravos, incluindo as limitações físicas e emocionais.

Um bom exemplo é um trabalho feito na UNESP de Botucatu (SP), com mulheres em reabilitação, vítimas de câncer de mama.

Dança do Ventre e Espiritualidade

Alguns profissionais trabalham a Dança do Ventre num sentido mais místico, buscando maior integração entre o físico e o mental. E, dessa forma, utilizam a dança para elevar o espírito e equilibrar os pontos energéticos distribuídos por todo o corpo.

Eles acreditam que os movimentos da Dança do Ventre são capazes de trabalhar os chacras e assim liberar tensões, acabar com bloqueios e até mesmo curar doenças.

Dança do Ventre como Hobby e Atividade Física

Para fugir dos exercícios muitas vezes repetitivos das academias de ginástica, muitas pessoas escolhem a dança como forma de praticar atividade física com regularidade. Isto é, aproveitam a paixão pela dança para se manterem fisicamente ativas.

A mesma paixão pelas Dança do Ventre também faz com que várias mulheres, de todas as idades, busquem sua prática meramente por lazer. Não querem se profissionalizar. Apenas ingressam na dança com o firme propósito de se exercitarem.

O objetivo dessas mulheres é o lazer. É estar em contato com o prazer que a dança lhes proporciona. Querem apenas se sentir felizes e relaxadas, prontas para enfrentar as obrigações e as atividades do dia-a-dia.

Dança do Ventre como Inspiração para Dança Sensual

A Dança do Ventre atrai muitas mulheres por mera curiosidade, por acharem a dança bonita ou simplesmente porque pretendem dançar para alguém especial.

Num tipo de trabalho como esse, a Dança do Ventre é usada apenas como inspiração para ensinar às mulheres a fazer uma bela dança para o seu parceiro. Trata-se de uma demanda muito específica e geralmente é atendida em poucas horas de aula.

Portanto, é muito diferente do trabalho técnico e elaborado como o que é feito nas aulas regulares de Dança do Ventre.

Isso porque, a Dança do Ventre não entra no grupo de danças sensuais. Ela é uma dança étnica que, por suas características extremamente femininas, por vezes, é utilizada para inspirar um trabalho sensual.

Algumas dessas mulheres, uma vez cumpridos os seus objetivos, param de dançar. No entanto, arrisco dizer que a maioria delas permanecem na dança por descobrirem o quanto ela é rica em possibilidades de movimentos, em termos étnicos e culturais.

Dança do Ventre como Profissão

Dança do Ventre Nilza

Para quem quer se tornar bailarina profissional ou professora de dança, existem hoje no mercado, muitos cursos voltados para esse tipo de capacitação.

Isto é, cursos profissionalizantes de altíssima qualidade, com carga horária extensa, destinados à bailarinas de nível avançado.

Em algumas cidades, como por exemplo o Rio de Janeiro, a Dança do Ventre já conta com provas para obtenção do Registro Profissional frente ao Ministério do Trabalho.

Essas provas são promovidas pelos Sindicatos dos Profissionais de Dança e muitos dos cursos profissionalizantes têm como perspectiva, a preparação dos alunos para essas provas.

Outras possibilidades profissionais dentro do mercado da Dança do Ventre, são iniciativas tais como:

  • Administração de escolas especializadas em dança;
  • Promoção de Curso de Formação e Especialização em dança, com temas específicos;
  • Promoção de Workshops de dança com temas diversos;
  • Promoção de Eventos Artísticos Nacionais e Internacionais: festas, shows, espetáculos teatrais, festivais, congressos de dança, etc;
  • Promoção de Excursões para países árabes;
  • Atelier de Figurinos de Dança do Ventre e Folclore Árabe;
  • Confecção e comercialização de acessórios para dança.

 

Como a Dança do Ventre é Vista Hoje?

É curioso como uma dança tão amada, admirada, também é vista com muito preconceito e é tão deturpada até mesmo por aqueles que a praticam.

Aliás, eu acredito que os maiores responsáveis pela visão distorcida da dança sejam exata e infelizmente, nós que a amamos tanto.

Muitos profissionais da Dança do Ventre, por razões que eu confesso não compreender, vendem uma dança com excesso de mistério e, dessa forma, sem perceber, acabam por aumentar o preconceito ao seu redor:

  • Professoras que fecham as cortinas e tampam as janelas das salas de aula para que as pessoas do lado de fora não vejam as aulas.
  • Escolas que não permitem que homens fiquem nas salas de espera aguardando as mulheres saírem de suas aulas de Dança do Ventre.
  • Pessoas que impõem limitações descabidas para que crianças e meninas adolescentes comecem a praticar Dança do Ventre, dentre muitos outros absurdos.

Tratam a dança como se ela fosse uma atividade com excesso de sensualidade e conotação sexual.

Isso é um grande equívoco, pois a sensualidade da Dança do Ventre é uma coisa muito natural e geralmente é trabalhada com respeito e dignidade apenas com as mulheres adultas. E não existe razões para excesso de fantasias.

Eu falo sobre isso no vídeo abaixo que, inclusive, já citei em outro artigo aqui no Blog. E, como eu debato com detalhes, vários dos pontos citados neste artigo, vou tornar a recomendar que você assista este vídeo, se ainda não assistiu.

Acho que vai complementar bastante a sua leitura.  😉

 

 

Resta deixar bem claro que, a sensualidade não é a única face dessa dança.

A Dança do Ventre também é feminina, delicada, charmosa e romântica. Ela trabalha muito a dissociação de movimentos e assim, exige das bailarinas muita habilidade, consciência corporal e coordenação motora.

É apenas uma dança. Uma dança maravilhosa, mas é apenas uma dança.

E como tal, uma “atividade física consciente” como lembra muito bem a professora e bailarina Lulu Hartenbach (SP), grande referência dessa arte aqui no Brasil.

Dessa forma, muitas habilidades são praticadas numa aula de Dança do Ventre e nada precisa ser escondido, tampouco visto como  proibido.

 

Para Onde a Dança do Ventre está Caminhando? 

Talvez não seja tão difícil falar sobre o futuro da Dança do Ventre, quanto é difícil falar sobre sua origem.

Isso porque, hoje em dia, existem muitos recursos pra  que a dança seja documentada, registrada e, dessa forma, preservada.

E enquanto manifestação artística, a tendência, acredito eu, é que ela continue admitindo novas leituras, novas interpretações, se tornando cada vez mais diversificada e exuberante.

Quanto à forma como é vista e percebida, como professora e bailarina de Dança do Ventre, espero que a ela encontre  o seu merecido lugar de respeito e de valor.

Espero que ela seja compreendida e exaltada tanto como cultura, quanto manifestação artística. E sendo assim, que ela possa levar muita felicidade tanto para quem a pratica, quanto para quem a assiste.

E que nós, praticantes dessa dança maravilhosa, possamos sempre ter espaço e o merecido reconhecimento para nos dedicar à Dança do Ventre de forma livre, responsável e com todo profissionalismo possível.

Acredito no poder criativo, na beleza e na consistência dessa dança.

E no mais, muito obrigada a você, querida leitora, por me acompanhar até aqui. Deixe seu comentário, sua contribuição. Este artigo foi feito pra você. Portanto, participe dele!  😉

Um grande beijo!!!

 

Kisses

 

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